Frete de retorno vazio: um custo que gera perdas bilionárias no transporte rodoviário
22 de Jul de 2026
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O frete de retorno vazio continua sendo um dos principais desafios da logística. Para Pedro Prado, CEO da LogShare, esse é um dos maiores fatores de ineficiência do transporte, já que reduz a produtividade das operações e aumenta os custos das transportadoras.
O problema vai além do Brasil. Dados divulgados pela Forbes, com base na Uber Freight, mostram que cerca de 35% dos caminhões no mundo circulam sem carga entre uma entrega e outra. Além do desperdício de combustível, manutenção e mão de obra, esse cenário também impacta o custo dos produtos. Segundo a Flock Freight, 77% dos embarcadores já apontam o transporte como um dos principais fatores de pressão sobre os preços de alimentos e bebidas.

No Brasil, a dependência do transporte rodoviário torna o impacto do frete de retorno vazio ainda maior. Em setores como o agronegócio, é comum que caminhões levem cargas aos portos e retornem sem mercadorias, elevando os custos logísticos em até 50%.
Segundo Pedro Prado, CEO da LogShare, cerca de 38% dos caminhões circulam vazios no país, gerando desperdícios que podem chegar a R$100 bilhões a R$200 bilhões por ano. Em um mercado que movimenta até R$800 bilhões, reduzir essa ociosidade é um passo essencial para aumentar a eficiência das operações e tornar a logística mais competitiva.
Fragmentação e operação em silos ampliam ineficiência
Na avaliação de Pedro Prado, CEO da LogShare, a ociosidade no transporte rodoviário está diretamente ligada à fragmentação do mercado logístico brasileiro e à falta de integração entre empresas e transportadoras. Com mais de 200 mil transportadoras e cerca de 900 mil transportadores autônomos atuando no país, ainda há pouca conexão entre quem oferta e quem demanda cargas.
Segundo o executivo, milhões de fretes são negociados diariamente, mas as empresas ainda operam de forma isolada, sem compartilhar informações que permitiriam identificar oportunidades de otimizar as viagens. Essa falta de colaboração reduz a eficiência das operações e aumenta o número de caminhões que retornam sem carga.
Para Pedro, o maior gargalo da logística brasileira está justamente nesse frete de retorno vazio, quando caminhões percorrem longas distâncias após uma entrega sem transportar nenhuma mercadoria. Além de desperdiçar capacidade operacional, esse cenário eleva custos e compromete a competitividade de toda a cadeia logística.
Compartilhamento de malha e backhaul entram como alternativa
Diante da necessidade de aumentar a eficiência logística, empresas têm investido em soluções para reduzir o número de viagens sem carga e otimizar o uso das frotas. Um exemplo é a operação de backhaul sustentável desenvolvida por PepsiCo, Leroy Merlin, LogShare e LOTS Group, que conecta fluxos logísticos para aproveitar o retorno de caminhões entre São Paulo e Curitiba.
Segundo Pedro Prado, CEO da LogShare, a iniciativa nasceu justamente para combater um dos maiores gargalos do setor: o frete de retorno vazio. Por meio de uma plataforma que conecta diferentes malhas logísticas de forma neutra, foi possível integrar as operações das empresas e transformar viagens ociosas em oportunidades de transporte.
Na prática, os caminhões da LOTS Group, movidos a GNV, realizam entregas da Leroy Merlin de Cajamar (SP) para Curitiba (PR) e, no retorno, transportam cargas da PepsiCo até São Bernardo do Campo (SP), evitando que o veículo volte vazio.
Os resultados mostram o potencial desse modelo: a integração das rotas proporcionou uma redução de aproximadamente 20% nos custos de frete e 40% nas emissões da operação, reforçando como a colaboração entre empresas pode gerar ganhos em eficiência, competitividade e sustentabilidade.
Caminhão parado representa perda diária de faturamento
Além do frete de retorno vazio, a baixa produtividade operacional também pesa nos custos do transporte rodoviário. Longos tempos de carga e descarga, espera nos clientes, restrições operacionais e feriados prolongados reduzem o aproveitamento da frota e impactam diretamente a rentabilidade das transportadoras.
Para Leonardo Buzin, CEO da Buzin Transportes, cada dia de operação perdido representa receita que não pode ser recuperada. Quanto maior a produtividade dos caminhões, maior o faturamento e melhores os resultados da operação.
Segundo o executivo, feriados prolongados agravam esse cenário. Quando há poucos dias úteis, muitos clientes suspendem as operações, reduzindo significativamente o volume transportado. Por isso, a estratégia é manter os caminhões carregados e em circulação sempre que possível, minimizando o tempo de ociosidade.
O impacto financeiro é expressivo: de acordo com Buzin, um rodotrem parado pode deixar de faturar cerca de R$4 mil por dia. Isso reforça a importância de um planejamento logístico eficiente, capaz de reduzir paradas, otimizar rotas e aumentar a produtividade da frota.
Fonte: Mundo Logística