SC terá oito portos até 2030, com demanda de R$57 bi em obras logísticas
12 de Mar de 2026
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Santa Catarina vive seu maior ciclo de investimentos portuários, com previsão de oito portos em operação até 2030. Serão R$18,6 bilhões em recursos privados para ampliar a capacidade, modernizar as estruturas e permitir a atracação de navios de maior porte.

Apesar do avanço portuário, a logística catarinense enfrenta riscos. Estudo da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) aponta a necessidade de R$57 bilhões em investimentos em infraestrutura até 2030 para evitar gargalos como o trecho Norte da BR-101, que já opera no limite.
Em 2024, Santa Catarina consolidou-se como o segundo maior complexo portuário do Brasil, com 62,7 milhões de toneladas movimentadas , superando Paranaguá. Os portos de Itapoá e Navegantes destacaram-se na movimentação de contêineres, ocupando o terceiro e quarto lugares no ranking nacional, segundo a ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários).
A força dos portos reflete sua importância para a economia catarinense: são responsáveis por 20% da movimentação de cargas e funcionam como extensão da indústria local, beneficiando setores como carnes, eletroeletrônicos, cerâmica, madeira, metalmecânico, têxtil e moveleiro.
O impacto social e fiscal também é expressivo: mais de 22 mil empregos gerados, bilhões em arrecadação, 82% das exportações e 86% das importações do Estado em 2024, totalizando US$38,4 bilhões em corrente de comércio.
Obras estruturantes
O ciclo de expansão portuária em Santa Catarina avança com novos terminais e ampliações estratégicas, como o Terminal Graneleiro da Babitonga, Terminal Mar Azul, Porto Brasil Sul, Estaleiro CMO, Terminal Portuário Coamo, além das expansões do Porto Itapoá, Portonave e ajustes da JBS Terminais. Os oito portos estarão distribuídos entre São Francisco do Sul, Itapoá, Navegantes, Itajaí, Imbituba e Laguna, fortalecendo a capacidade para navios maiores e abrindo novas frentes logísticas. O novo TGSC já está em testes, enquanto o terminal da Coamo ainda será construído.

Um dos destaques é a dragagem de aprofundamento do canal da Baía da Babitonga, no Norte do Estado — a maior obra do tipo no país. A intervenção já concluiu dois quilômetros do alargamento da praia de Itapoá, utilizando 1,7 milhão de m³ de areia retirados pela draga Galileo Galilei. Ao final, serão removidos 12,5 milhões de m³ de sedimentos, com parte destinada à recuperação da faixa de areia.
Planejamento estratégico
A dragagem do canal da Baía da Babitonga permitirá a entrada de navios maiores no complexo portuário e eliminará a necessidade de fundeio em maré baixa no Porto de São Francisco do Sul, gerando economia anual de R$20 milhões. Com custo de R$333 milhões, financiado pelos portos de São Francisco e Itapoá, a obra deve ser concluída no segundo semestre de 2026.
O secretário estadual de Portos, Beto Martins, atribui os avanços à visão estratégica de Santa Catarina, único estado com secretaria dedicada ao setor. Ele destaca que a dragagem, fruto de uma PPP inédita, prepara os portos para receber navios de 366 metros, padrão que dominará as rotas globais.
Para o setor privado, os investimentos em tecnologia, eficiência e descarbonização são essenciais para manter a competitividade do país no comércio exterior.
Navios de 400 metros
A Portonave, em Navegantes, investe cerca de R$2 bilhões na ampliação do cais, incluindo R$1,6 bilhão em infraestrutura e R$439 milhões em novos equipamentos. Com a obra, a profundidade chegará a 17 metros, permitindo receber navios de até 400 metros, e a capacidade anual passará de 1,5 milhão para 2 milhões de TEUs.

Apesar dos avanços, especialistas alertam: sem investimentos equivalentes em infraestrutura terrestre, a expansão portuária pode esbarrar em gargalos logísticos e comprometer seu crescimento.
Principais projetos previstos:
- Terminal Graneleiro da Babitonga (TGB) – São Francisco do Sul: Investimento de R$2 bilhões para movimentar 14 milhões de toneladas de grãos por ano.
- Terminal Mar Azul – Baía da Babitonga: Investimento de R$430 milhões para capacidade de 6 milhões de toneladas/ano.
- Porto Brasil Sul – São Francisco do Sul: Investimento de R$7,5 bilhões em terminal com 1,2 milhão de m² e capacidade para até 8 navios simultaneamente.
- Estaleiro CMO – Investimento de R$3 bilhões voltado à construção e montagem para o setor offshore.
- Terminal Portuário Coamo – Baía da Babitonga: Investimento de R$3 bilhões para operações com GLP, granéis, combustíveis e fertilizantes.
- Porto Itapoá – Investimento de R$700 milhões em ampliação de pátio, píer e novos equipamentos.
- Portonave – Navegantes: Investimento de R$2 bilhões para aprofundamento do calado, adequação do cais para navios de até 400 metros e expansão de área.
- JBS Terminais – Investimento de R$15 milhões em melhorias operacionais e de infraestrutura para ampliação da capacidade.
Fonte: Exame.com