Plano CNT 2026 prevê mais de R$2 trilhões para transformar a infraestrutura logística do Brasil
14 de Aug de 2026
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A Confederação Nacional do Transporte (CNT) apresentou o Plano CNT de Transporte e Logística 2026, estudo que reúne 2.837 projetos prioritários para modernizar a infraestrutura de transporte no país. O investimento estimado é de R$2,03 trilhões, com foco em rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos.

O plano surge em um momento de atenção para o setor: os custos logísticos brasileiros passaram de 10,4% do PIB em 2014 para 15,5% em 2025, reforçando a necessidade de ampliar a eficiência da infraestrutura nacional.
Entre os principais destaques estão 152 projetos de duplicação de rodovias, que somam mais de 10 mil quilômetros, além de 90 projetos voltados à infraestrutura portuária, fundamentais para fortalecer o escoamento de cargas e aumentar a competitividade do país.
A maior parte dos recursos previstos será destinada às ferrovias (R$1,1 trilhão) e às rodovias (R$511,5 bilhões), além de investimentos em hidrovias, portos, aeroportos e terminais logísticos.
O estudo reúne demandas do setor e incorpora iniciativas como o Novo PAC, o Plano Nacional de Logística (PNL 2035) e outras ações estratégicas para reduzir gargalos e impulsionar o desenvolvimento da logística brasileira.
A raiz do problema
Os custos logísticos seguem como um dos principais desafios para a competitividade do Brasil. Em 2025, eles representaram 15,5% do PIB, um patamar muito acima dos 10,4% registrados em 2014.
Segundo a CNT, esse cenário reflete a necessidade de mais investimentos em infraestrutura e um melhor equilíbrio da matriz de transporte. Hoje, o modal rodoviário concentra 65,8% da movimentação de cargas no país, enquanto economias como Estados Unidos, China e União Europeia distribuem melhor suas operações entre rodovias, ferrovias, hidrovias e cabotagem, reduzindo custos e aumentando a eficiência logística.
Outro ponto de atenção é o baixo investimento em infraestrutura. Enquanto o Banco Mundial estima que o Brasil deveria aplicar cerca de 3,7% do PIB ao ano no setor, a média de investimentos federais entre 2015 e 2025 foi de apenas 0,15%, reforçando a necessidade de acelerar a modernização da logística nacional.
Por que isso importa?
Para a CNT, investir em planejamento é essencial para desenvolver uma infraestrutura mais integrada, eficiente e preparada para o futuro. A entidade destaca que obras estratégicas contribuem para reduzir os custos logísticos, aumentar a competitividade das empresas, fortalecer o comércio internacional e tornar o sistema de transporte mais sustentável e resiliente.
Além disso, reforça que a combinação entre planejamento técnico, segurança regulatória e novas fontes de financiamento é indispensável para acelerar os investimentos e garantir uma logística mais eficiente para o Brasil.
“O transporte move o Brasil”
Além do Plano CNT 2026, a Confederação Nacional do Transporte (CNT) apresentou o documento "O Transporte Move o Brasil – Propostas da CNT ao País", que reúne medidas para fortalecer a infraestrutura logística e aumentar a competitividade do Brasil.
Entre as principais propostas estão o aumento dos investimentos em transporte, a aprovação da PEC da Infraestrutura, a destinação dos recursos da Cide para obras do setor e a ampliação das fontes de financiamento. O documento também defende o reforço da segurança nas operações logísticas, com ações mais rigorosas contra o roubo de cargas e maior policiamento em rodovias, ferrovias e hidrovias.
As recomendações foram elaboradas em conjunto com entidades do setor e destacam a importância do transporte como um dos principais motores do desenvolvimento econômico e social do país.
Fim da escala 6x1
A CNT também analisou os impactos da proposta de redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6x1, atualmente em discussão no Congresso Nacional. Segundo a entidade, o debate vai além das relações de trabalho e envolve a capacidade do país de manter a mobilidade, o abastecimento e a continuidade de serviços essenciais.
Um estudo da Confederação estima que a mudança pode gerar um impacto de R$ 11,88 bilhões para o setor de transporte no longo prazo. Isso porque, sem ajustes proporcionais, haveria aumento nos custos com mão de obra, afetando diretamente as operações logísticas.
Diante desse cenário, a CNT defende que eventuais mudanças sejam implementadas de forma gradual, considerando as particularidades de cada segmento, com foco em produtividade, qualificação profissional e negociação coletiva.
Transição energética
Os custos e a instabilidade dos combustíveis seguem entre os principais desafios para o transporte de cargas no Brasil. Segundo a CNT, investir na modernização da infraestrutura de armazenamento e distribuição é fundamental para reduzir custos, aumentar a eficiência logística e garantir maior segurança no abastecimento, principalmente em regiões mais distantes.
A entidade também defende mais transparência na formação dos preços, fortalecimento da fiscalização e ampliação da capacidade de refino no país para diminuir a dependência externa. Além disso, destaca a importância de estoques estratégicos de diesel e da diversificação da matriz energética.
Para a transição energética, a proposta é avançar de forma gradual: no curto prazo, com o uso de HVO e biometano; no médio, com a expansão da eletromobilidade, especialmente no transporte urbano; e, no longo prazo, com o desenvolvimento do hidrogênio renovável como alternativa para o setor de transporte.
Fonte: Mundo Logística